7. GESTÃO DOS INVESTIMENTOS

7. 1. CONTEXTO DO MERCADO FINANCEIRO

Em 2017, notou-se uma forte influência do cenário político na precificação dos ativos e na volatilidade percebida pelo mercado até o primeiro semestre. Já o segundo período do ano, foi marcado pelo descolamento do cenário político. Observou-se melhoras em praticamente todos os dados econômicos internamente, a taxa básica de juros, SELIC, que iniciou um importante ciclo de queda em Outubro de 2016, saiu de 13,00% no início de 2017 para 7,00% no final do ano, a menor taxa histórica. A taxa de inflação, IPCA, encerrou o ano em 2,95%, abaixo da meta afixada em 4,5% pelo Banco Central. O mercado de trabalho também trouxe dados positivos e a taxa de desemprego foi reduzida à 11,80%. Em relação à atividade, o segundo semestre do ano confirmou as expectativas de melhora para Brasil, com o PIB encerrando o ano com alta de 1,0%, após dois anos consecutivos de recessão. Ainda que as reformas consideradas necessárias pelo mercado não tenham sido aprovadas para melhor ajuste das contas públicas, por exemplo, a reforma da previdência, a combinação juros versus inflação, atingiram níveis “otimistas”.

Com a volta da confiança dos investidores em uma economia mais ajustada, os ativos apresentavam performances acima das expectativas. O Ibovespa apresentou alta de 21,47% no segundo semestre de 2017, ante 4,44% no primeiro semestre do ano.

Quanto ao cenário internacional, nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump não conseguiu implementar sua agenda de reformas, que incluía principalmente uma forte expansão fiscal, através de um massivo corte tributário. O republicano só conseguiu aprovar a reforma fiscal no final do ano, não impactando o mercado em 2017. Com isto, a expectativa que o Federal Reserve, o banco central americano, pudesse elevar os juros mais rapidamente caiu por terra. O que vimos foi uma elevação gradual de juros que não influenciou os mercados. 

A China também não apresentou mudanças significativas em sua trajetória de crescimento. O país asiático continuou apresentando números expressivos de PIB, crescendo trimestralmente entre 6,5% a 6,8%. Por outro lado, cresceu o temor de que uma bolha financeira estaria prestes a explodir no país, dado a elevada alavancagem de crédito que o país se encontra.


Em suma, ressalta-se uma leve melhora nos fundamentos macroeconômicos brasileiros, com exceção da parte fiscal, que ainda ficará a mercê do contexto político, muito incerto até o momento. Porém, as variáveis preço, juros e câmbio encerraram o ano bem controladas e favorecem uma retomada do crescimento no horizonte de tempo relevante. No mundo, a expectativa agora é de maior crescimento econômico, impulsionado principalmente por EUA, em função da recente reforma tributária. Por outro lado, a expectativa também é de juros maiores, todavia, espera-se que esta elevação se dará de forma gradual, sem que traga volatilidade desnecessária para os ativos.
 

7. 2. INVESTIMENTOS ENERGISAPREV

A maior parte dos ativos da EnergisaPrev são geridos pela própria Entidade, entretanto  possui gestores terceirizados para a menor parcela da carteira através de Fundos de Investimentos. Estes gestores são avaliados periodicamente, através de análises desenvolvidas por consultores contratados pela EnergisaPrev. 


A gestão entre os segmentos tem por objetivo a busca do equilíbrio entre as aplicações dos recursos e as obrigações previdenciais da Fundação. Respeitando o passivo de cada plano e boas práticas de governança, a EnergisaPrev realiza a segregação real de ativos entre planos, inclusive com carteiras de investimentos distintas, o que possibilita a melhor gestão e maior transparência. 


Com periodicidade mínima anual, a EnergisaPrev e seus consultores realizam o estudo de ALM (Asset Liability Management) com o propósito de orientar a gestão dos recursos do plano e com base em simulação estocástica. Assim, buscamos indicar a mais adequada estratégia e composição para a carteira de ativos, incluindo a mitigação do risco de liquidez, aumento da solidez do plano e, quando possível, diminuição do risco do portfólio, ou seja, a redução da volatilidade da carteira ou o risco de perdas financeiras. Em outras palavras, esse acompanhamento auxilia a Fundação na melhor combinação de ativos no momento da análise, respeitando os compromissos atuariais dos planos de benefícios, os limites de aplicações estabelecidos na política de investimentos e os limites legais divulgados pelos órgãos reguladores. Daí são definidas as alocações que buscam a meta atuarial e índices de referência dos planos de benefícios.


Em atendimento a instrução PREVIC nº 23 de 26 de junho de 2015, o AETQ (Administrador Estatutário Tecnicamente Qualificado), através de estudo realizado pela consultoria financeira da Entidade, atesta o “Estudo de Aderência da Taxa de Juros” elaborado anualmente e define as taxas de juros aderentes ao retorno dos investimentos, de acordo com a duration do passivo e dentro dos limites estabelecidos pela Portaria definida todos os anos pelo órgão regulador:

O Plano ENERGISA, pela natureza de Contribuição Definida, não possui meta atuarial, mas um índice de referência, definida como CDI para o início de suas atividades e fase inicial de acumulação de recursos.


A Política de Investimentos descreve a filosofia e as práticas de investimentos utilizados pela EnergisaPrev na gestão dos recursos de cada plano de benefícios por ela administrados. A entidade considera crucial adotar um planejamento que defina as diretrizes de preservação e de ampliação dos recursos dos planos que administra, por meio de processo de investimento prudente e consistente com os objetivos, políticas e estratégias de longo prazo.

7. 3. política de investimentos

A Política de Investimentos é um conjunto de normas e diretrizes voltadas à orientação e direcionamento da gestão dos recursos garantidores das reservas técnicas, fundos e provisões destinadas aos planos de benefícios das entidades fechadas de previdência complementar, elaborada, no mínimo, anualmente pela Diretoria Executiva e aprovada pelo Conselho Deliberativo da entidade.


Embora esta Política tenha uma perspectiva de longo prazo e tenha validade para horizonte de 5 (cinco) anos, a EnergisaPrev revisa seu conteúdo, diretrizes, limites e estratégias definidas anualmente com o objetivo de incorporar as mutações conjunturais da economia, bem como as mutações qualitativas dos passivos atuariais, cujos reflexos influenciam as estratégias e objetivos da gestão dos ativos de investimentos, neste caso, garantidores dos planos de benefícios administrados pela EnergisaPrev.


Este documento além de atender a Resolução do CMN nº 4.275, de 31 de outubro de 2013, que altera alguns pontos da Resolução do CMN nº 3.792, de 24 de setembro de 2009 e da própria Resolução do CMN nº 3.792, de 24 de setembro de 2009, visa, sobretudo, definir as estratégias da EnergisaPrev quanto à gestão dos recursos garantidores dos planos por ela administrados, dando-lhes ciência dos objetivos almejados e das ações a serem desempenhadas para alcançá-los, refletindo a seriedade e transparência na gestão dos recursos patrimoniais dos planos de benefícios.


Em linha com o Guia de Melhores Práticas para Investimentos da PREVIC, a Política de Investimentos da Energisaprev segue limites quantitativos impostos pela legislação vigente e com os objetivos específicos de cada plano. Como deve ser, para os planos de benefício definido, a política é orientada pelo passivo atuarial e utiliza ferramentas de gerenciamento de ativos e passivos.


A aplicação dos Recursos Garantidores das Reservas Técnicas dos Planos de Benefícios da EnergisaPrev tem como meta uma melhor combinação entre risco e retorno dos seus investimentos e, uma melhor estrutura patrimonial, visando atender as exigências legais e atuariais.


As diretrizes nela definidas, em vigor a partir de 1º de janeiro de 2016, contemplam todos os itens previstos no Capítulo V da Resolução CMN nº 3.792/2009 – “Da Política de Investimento” e todos os itens previstos na nova Resolução do CMN nº 4.275, de 31 de outubro de 2013. O documento foi elaborado tendo em vista um horizonte de 60 meses, conforme estabelece a Resolução CGPC nº 7, de 04 de dezembro de 2003.

O Plano ENERGISA, aprovado pela PREVIC em 17/04/2017 teve suas primeiras adesões no mesmo mês, cujas movimentações financeiras iniciaram em Junho/2017. Conforme estabelecido pelo Art. 54 da Resolução 3.792 em seu parágrafo primeiro, “A política de investimentos para o novo plano é facultativa no primeiro exercício subsequente à data de recebimento da primeira contribuição” ainda, no parágrafo segundo “A observância dos limites de alocação, de alocação por emissor e de concentração por emissor é facultativa nos primeiros 24 meses subsequentes ao recebimento da primeira contribuição”. Posto isto e, ainda assim, a EnergisaPrev adotou limites mais conservadores aderentes aos planos OP’s.

Bragança Paulista - SP, 21 de dezembro de 2017

Diretor Presidente: André Bolonha Fiuza de Mello

Diretora Administrativo-Financeira: Daniele Lima de Oliveira